Proyectos bilaterales /

Governo Lula insiste em desperdiçar
recursos públicos

Porto Alegre, 26/02/08.- O governo Lula, dito de esquerda, decepciona como quando em visita recente à Argentina. Além do acordo sobre a retomada do projeto da UHE Garabi, ficou acertado um acordo na área de energia nuclear. Duas formas sabidamente “sujas” de produção de energia, ultrapassadas, com projetos datados até 30 anos. No caso dos projetos de hidrelétricas, o ritmo da vida local, a natureza endêmica, a manutenção das famílias em seus locais de origem, com as suas respectivas conquistas – identidade, emprego, moradia, lazer-, torna-se insignificante ao tentar se solucionar o problema da inundação da área com reassentamentos. Já no caso dos projetos de usinas nucleares, por as famílias não precisarem deixar para trás a sua história, não quer dizer que não sofram conseqüências. A contaminação devido a vazamentos causa doenças como câncer de tireóide e as pesquisas apontam casos de mutações genéticas. No Brasil, por exemplo, somente o lixo nuclear, que nem era um dos mais perigosos, o Césio-137, matou quatro pessoas em Goiânia em 1987 e até hoje muitas pessoas sofrem com os problemas de saúde gerados a partir do contato com as áreas atingidas.

Soluções imediatas nem sempre são as melhores. E ainda, as citadas, visam ao benefício financeiro de poucos. Uma vez que, os gigantescos projetos acordados estão relacionados a grandes empresas que irão contar com recursos do BNDES – um banco cuja fonte dos recursos provêm do Fundo de Amparo ao Trabalhador, do Fundo PIS-PASEP e do Fundo da Marinha Mercante –, e que acabam tendo uma destinação tangente à de sua origem. No próprio site do banco é possível se informar destas distorções, em BNDES transparente nas “estatísticas operacionais”.

Se há recursos a serem investidos por que não empregá-los em outras fontes de energia como a solar, a eólica e também na repotenciação das hidrelétricas já construídas? Ao todo, a União já gastou R$ 1,5 bilhão com Angra III. E ainda, serão necessários mais R$ 7,3 bilhões para a conclusão das obras prevista para 2014. Será mesmo que o Brasil quer distribuir renda? Imaginemos o que o montante investido em uma usina nuclear não poderia fazer pela agricultura familiar responsável por 65% da produção de alimentos no país, conforme o ministério do Desenvolvimento Agrário.

O Núcleo Amigos da Terra/Brasil acredita que o governo brasileiro deveria investir mais na busca por soluções energéticas sustentáveis – energia solar, eólica, pequenas centrais hidrelétricas–, com o menor impacto ambiental possível como uma garantia ao bem-estar social e ambiental nas cidades e no meio rural.

Fonte: NAT Brasil 

Secciones vinculadas:

Secciones vinculadas brasil, argentina, energia, represas, iirsa, garabi, nuclear, pac, instituciones-financieras,