Brasil /

O Maior tributário do rio Amazonas ameaçado

Saiba mais sobre a importância ecológica e social do rio e os aspectos políticos e econômicos que estão envolvidos com os grandes projetos de infra-estrutura relacionados ao Complexo Hidroelétrico e Hidroviário do Rio Madeira. O assunto e influencie a opinião pública, e os tomadores de decisão nos governos e instituições financeiras de seu país a posicionarem-se sobre os megaprojetos previstos para o rio Madeira.

ampliar

 

A elaboração do documento "O segundo maior rio da Amazônia está ameaçado" é uma iniciativa do Núcleo Amigos da Terra, da Ecoa - Ecologia e Ação, da Oscip Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, da Both ENDS, doInstituto Madeira Vivo (IMV), da International Rivers Network (IRN), da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). Mais de cem organizações brasileiras e internacionais também se posicionaram contra a construção das barragens no rio Madeira. A Coordenadora do Núcleo Amigos da Terra, Lúcia Ortiz, editora do documento, explicou que o intento é “dar visibilidade pública a esse novo ciclo de exploração que o Complexo do Rio Madeira representa. Fazia muito tempo que não se tomava uma decisãocom impactos dessa magnitude na região".

A campanha teve o lançamento no início dessa semana e o documento tem uma versão em inglês. Conforme o divulgado, o projeto do Complexo Hidroelétrico e Hidroviário do Rio Madeira faz parte da Iniciativa de Integração da Infra-estrutura Regional Sul-americana (IIRSA), financiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Corporação Andina de Fomento (CAF) e Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata). Somadas às usinas de Jirau e Santo Antônio, que juntas teriam 6.450 MW de potência instalada, está prevista a construção de uma terceira hidrelétrica no trecho entre Abunã, no Brasil, e Guayaramerín, na Bolívia; e, ainda, de uma quarta hidrelétrica na Cachoeira Esperanza, localizada no rio Beni, 30 km acima da sua confluência com o rio Mamoré, na Bolívia. Com isso, há a previsão de se inaugurar uma hidrovia industrial, com extensão de 4.200 Km, para o escoamento de mercadorias, como soja, madeira e minerais a partir dos portos do Atlântico e do Pacífico.

Dentre os impactos arrolados, estão o avanço do desmatamento, a ameaça de extinção ou redução da diversidade de peixes e conseqüente prejuízo às famílias da região que sobrevivem da pesca, o desalojamento de mais de cinco mil pessoas, a migração crescente de milhares de trabalhadores que já chegam à capital Porto Velho em busca de trabalho na construção. Vale ressaltar que a viabilidade do empreendimento está sendo questionada através de Estudos solicitados pelo Ministério Público Estadual de Rondônia e citados no documento da campanha quanto às análises elaboradas pelo consórcio Furnas e Odebrecht sobre o fluxo de sedimentos.

O custo da construção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, estimado pelo consórcio entre a estatal Furnas e a construtora Odebrecht, pode ser de 14,2 bilhões de dólares. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) declarou que poderá ser parceiro do consórcio ganhador do leilão, além de financiar 75% do projeto com juros reduzidos. Em abril de 2006, o BNDES e o BID assinaram uma parceria para financiar grandes projetos na Amazônia, entre os quais está o Complexo do Madeira. O financiamento se daria através de um acordo de linha de crédito de 1,5 bilhões de dólares, a ser gerenciado pelo BNDES. Mas, em dezembro do mesmo ano, o BID condicionou o financiamento do empreendimento aos resultados dos estudos de impactos socioambiental e ainda não se posicionou em relação ao projeto. Por isso, Lúcia Ortiz está em Washington para se reunir com o BID e o Banco Mundial e cobrar um posicionamento das instituições.

Eliege Fante
Núcleo Amigos da Terra Brasil
Contato: (51) 9816 9595

Secciones vinculadas:

Secciones vinculadas