Encontro Xingu Vivo para Sempre /
Diversidade, soberba e covardia marcam
a discussão do futuro do Xingu
• O encontro tem o objetivo de criar um movimento unificado na bacia do Xingu para dialogar a respeito das grandes ameaças e do potencial para manter sua integridade.
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O engenheiro Paulo Fernando Rezende foi designado pela Eletrobrás para palestrar em reunião. ampliar
Altamira, 21/05/08.- Cantando e dançando os povos do Xingu iniciaram no dia 20 em Altamira, no Pará, o encontro Xingu Vivo para Sempre. Mais de mil pessoas, brancos e negros, estudantes e trabalhadores, índios e índias de várias etnias presenciaram a exibição arrogante do gerente da Eletrobrás, Paulo Rezende, e em seguida a agressão covarde que sofreu por parte de vários índios e índias armados de bordunas e facões. O encontro é um evento histórico. Em 1989 os povos da bacia do Xingu se reuniram pela primeira vez, na ocasião a índia Kaiapó Tuíra passou o facão no rosto do representante da Eletrobrás.
O engenheiro Paulo desconsiderou o risco que corria ao insistir com a exibição de novos estudos sobre barragens e represas que de algum modo podem prejudicar os índios. Deu o recado claro de que a sua empresa prosseguirá com os estudos e tentará fazer as obras, ou pelo menos, uma delas, a mal fadada Belo Monte. Foi vaiado várias vezes, viu as evoluções da mesma índia Tuíra, com o filho num braço e o terçado reluzente no outro. Enfrentou o que não podia enfrentar, a segurança do evento inexistiu, e foi descamisado, jogado ao chão, bordunado e teve um corte profundo no braço.
Para Jean Pierre, da FASE, o fato mostra um sentimento geral dos povos indígenas. Eles sabem que a hidrelétrica pode mexer profundamente com a vida do rio e da Amazônia. Os povos se afirmaram, demonstrando, a sua maneira, que estão aí e que querem ser ouvidos.
Dezenove anos após o primeiro encontro, a ocupação da bacia triplicou, assim como também aumentou o desmatamento nas cabeceiras e matas ciliares, a exploração ilegal de madeira e os problemas fundiários. Nas palestras iniciais foi dito que o governo quer privatizar os recursos sem considerar os povos e que é importante o planejamento integrado da bacia e um novo modelo econômico de desenvolvimento regional.
Realizado por várias organizações, o encontro tem o objetivo de criar um movimento unificado na bacia do Xingu para dialogar a respeito das grandes ameaças e do potencial para manter sua integridade. Desde o início do evento os participantes manifestavam sua posição contrária ao Complexo Hidrelétrico Belo Monte. O encontro continuará com os debates e será encerrado na sexta, dia 23, com uma manifestação nas ruas de Altamira.
Vale lembrar que muitas hidrelétricas já empobreceram e infernizam um milhão de brasileiros nas últimas décadas e que, nos cinco séculos de conquista branca, milhões de índios já foram escravizados, torturados, violados e assassinados nesse nosso berço esplêndido mal resolvido.
Fonte: Oswaldo Sevá e Carolina Moura
