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Deságio em Jirau poderá ser menor
que em Santo Antônio
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Porto Velho, 01/04/08.- A nova atração do setor elétrico, depois do fracassado leilão de venda da Cesp, é a licitação de Jirau, segunda hidrelétrica do Rio Madeira, em Rondônia. Com o edital previsto para os próximos dias e o leilão para 9 de maio, o leilão da usina já começa a suscitar discussões entre alguns dos potenciais candidatos. Um ponto é o preço-teto a ser definido pelo governo vis-à-vis o custo de instalação da usina, apontado como superior ao da primeira, Santo Antônio.
Por isso, a relação entre custo de construção e tarifa de energia vai dominar as planilhas dos consórcios que vão disputar o leilão de Jirau. O fato é que, na prática, essa hidrelétrica entregará 252 MW a menos energia que a de Santo Antônio. Aí reside a questão: nem por isso a obra será mais barata ou o preço inicial do leilão será maior.
No pregão de Santo Antônio, que foi vencido pelo consórcio liderado por Odebrecht e pela estatal Furnas (controlada da Eletrobrás), em dezembro, o lance vitorioso foi de R$ 78,90 o Mwh, ante um preço-teto de R$ 122. O valor significou deságio de 35% em uma usina cujo orçamento para erguê-la é estimado em R$ 10 bilhões.
Diante de um deságio tão forte, os competidores não têm dúvidas de que o governo federal fixará um preço-teto para Jirau inferior aos R$ 122 de Santo Antônio, mesmo com dificuldades aparentemente maiores. "Jirau está a 130 km da capital Porto Velho, enquanto Santo Antônio fica a pouco mais de cinco quilômetros. Só isso já encarece a obra", avalia uma fonte do setor.
Esse sentimento já está disseminado no setor. Tanto que já há quem aposte em um valor inicial próximo dos R$ 100 o Mwh. Apesar de evitar cravar um número, João Canellas, diretor da Amazônia Madeira Energética (Amel), empresa do grupo Camargo Corrêa, tem a mesma visão. Mas assegura que o grupo está pronto para um lance ousado por Jirau e sair vitorioso do leilão. "A única coisa que não acredito é que teremos o mesmo deságio visto em Santo Antônio", diz. Desde 11 de dezembro, a Amel trabalha duro na preparação para essa disputa de titãs.
Os dois outros concorrentes de peso devem ser de novo os consórcios de Odebrecht/Furnas e o do grupo belga Suez/Tractebel.
Deságio menor deverá ser a tônica no leilão, já que Jirau terá energia firme de 1.966 MW, menor que os 2.218 MW de Santo Antônio. E a diferença não se explica pelo número de turbinas, já que cada uma das hidrelétricas terá 44 delas. Com desenho de 3,3 mil MW instalados, Jirau terá turbinas com potência de 75 MW cada uma, portanto maiores que as máquinas de Santo Antônio, de 71,6, que perfazem 3,15 mil MW. Segundo explica Canellas, a segunda usina do Madeira terá que movimentar seu maquinário usando menos água.
Isso está previsto na formatação do projeto de forma a manter um nível de água no rio para evitar qualquer alagamento em território boliviano, principalmente na época da vazante do rio Abunã, localizado na Bolívia. O Abunã encontra-se com o rio Madeira na fronteira entre os dois países.
A repetição dos consórcios para o leilão de Jirau limita-se aparentemente à liderança. Tanto é que rumores nos últimos dias chegaram a apontar até a entrada da estatal Eletrobrás no minuto seguinte pós-leilão, ou seja, compondo o consórcio vencedor. Procurada, a estatal informou que não falar sobre o assunto.
Mas, ante de uma apresentação a investidores em São Paulo (SP) na semana passada, Astrogildo Quental, diretor-financeiro da Eletrobrás, disse ao Valor que a holding e suas controladas - Chesf, Furnas, Eletrosul e Eletronorte - terão uma reunião para tratar da participação de cada uma no próximo dia 10. "Acredito que Furnas e Odebrecht repitam a união. Mas tudo isso será definido neste encontro".
A Camargo Corrêa afirma interesse em manter a estrutura do consórcio da disputa anterior, quando teve a seu lado a estatal Chesf, com 49%, CPFL Energia (de quem é um dos acionistas controladores), com 25,05%, além da espanhola Endesa, também com 25,05%. Os espanhóis se retiraram do consórcio na véspera do leilão e é incerto que voltem a integrá-lo.
Na disputa por Jirau, com essas nuances de provável preço-teto menor, custo maior da obra e menor energia a ser vendida, o consórcio da Camargo buscará ter maior autonomia de decisão. O próprio grupo, que ficou com 0,9% naquela ocasião, agora deverá deter uma participação bem mais expressiva. As alianças com CPFL e com uma das estatais da Eletrobrás devem ser mantidas.
Outro ponto importante para esse leilão é a definição prévia do preço para a energia a ser vendida no mercado livre, 30% do total. Isso, inclusive, facilitará um acordo pós-leilão com um grande consumidor. A expectativa é que o governo mantenha o mesmo formato de Santo Antônio, com 70% para o mercado regulado. "Quem amarrar melhor a precificação dessa energia livre conseguirá ter mais condições de fazer uma oferta mais competitiva. "Esse será um fator fundamental", afirma Canellas.
Fonte: Valor Econômico
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