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Governo quer conter ações de movimentos

Para evitar prejuízos na economia, objetivo é barrar invasões em áreas prioritárias, como hidrelétricas, estradas e ferrovias. Serviço de inteligência da Presidência já monitora entidades, mas idéia agora é dar transparência a plano e trabalhar com ministérios.

Sao Paulo, 16/03/08.- O governo federal deu início a um trabalho conjunto de logística e de inteligência que tem como objetivo impedir ações de movimentos sociais em áreas tidas como "prioritárias de infra-estrutura", ou seja, aquelas que, se afetadas de alguma forma, podem trazer prejuízos econômicos ao país.

Barricadas em estradas, bloqueios em ferrovias e invasões a usinas hidrelétricas são exemplos já ocorridos e que, agora, o governo quer evitar -ou ao menos encontrar meios para amenizar seus efeitos.

Nos últimos dias, integrantes desses movimentos invadiram uma carvoaria da Vale, no Maranhão, bloquearam uma ferrovia da mineradora, no interior de Minas Gerais, e montaram acampamento em frente ao canteiro de obras da hidrelétrica de Estreito (MA).

O monitoramento dos serviços de inteligência aos movimentos sociais é antigo. Diante de uma alegada precaução econômica, tal ação desta vez será feita às claras, inclusive com a participação de ministérios. O primeiro passo, em curso e sob a coordenação do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência, é identificar os pontos prioritários de infra-estrutura do país, no caso, instalações, serviços ou bens que, se de alguma forma forem destruídos ou interrompidos, irão provocar impacto social, econômico, político, internacional ou à segurança nacional.

Concluída essa identificação, o segundo passo do governo será traçar um plano específico de ação para cada um deles, a depender sempre do grau de vulnerabilidade e de risco encontrado no local. Essa estratégia pode incluir o aumento da segurança local, o deslocamento de tropas do Exército e a criação de rotas alternativas, no caso de uma rodovia bloqueada, por exemplo.

Exemplo: o governo identifica que determinado ponto de uma rodovia, usada para o escoamento de uma carga específica, tem sido alvo de bloqueios de sem-terra e que, nas imediações, não existe uma base militar. Dá-se início então a uma ação que pode incluir a fixação de uma base do Exército nas imediações e/ou a abertura de estradas vicinais que sejam usadas como rotas de fuga em caso de novas barricadas. Para evitar novas invasões de hidrelétricas, a idéia do GSI é que as usinas sejam orientadas a reforçar a segurança e a criar salas de comando alternativas.

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) informaram que, por ora, preferem não comentar o plano do governo.

Grupos ministeriais

A vigília aos movimentos sociais é só um braço de um plano nacional para evitar apagões em áreas prioritárias.

Segundo portaria do GSI do mês passado, serão criados os GTSICs (Grupos Técnicos de Segurança de Infra-estruturas Críticas), formados por representantes do GSI, de ministérios e de entidades. Os grupos vão propor ações nas áreas prioritárias.

Ministérios vão criar grupos para garantir segurança

A vigília do governo aos movimentos sociais é só um braço de um plano nacional para evitar apagões em áreas consideradas prioritárias- energia, transporte, água, telecomunicações e finanças.

A semente do plano, segundo o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, foi plantada após os atentados de 11 de setembro, nos EUA, e ganhou corpo nos últimos anos, com seminários e casos emblemáticos, como o apagão aéreo e as invasões a usinas hidrelétricas.

Segundo portaria do GSI do mês passado, serão criados os GTSICs (Grupos Técnicos de Segurança de Infra-estruturas Críticas), formados por representantes do GSI, de ministérios e de entidades. Os grupos vão propor ações nas áreas prioritárias.

O primeiro grupo, de energia, terá participações de GSI, ministérios de Minas e Energia e da Agricultura, Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

Fonte: Folha de São Paulo

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