Do Tumucumaque ao Xingu: indígenas viajam 2.300 quilômetros para trocar experiências
Durante dez dias, quatro índios das etnias Tiriyó e Katxuyana irão conhecer as técnicas de plantio e cultivo das etnias xinguanas.

Koneto Tiryó, conta que as terras do parque Tumucumaque estão preservadas, mas que é preciso cuidar para que ela permaneça assim. “Cada etnia pensa de uma maneira e todas têm conhecimentos diferentes... Acho que podemos aprender muito”.
Tumucumaque, Pará, 4/05/2010.- Koneto Tiriyó, Davi Katxuyana, Sebastião Katxuyana e Karauaka Aretina Tiriyó saíram de sua terra, o Parque Tumucumaque, no norte do Pará e percorreram mais de 2.300 quilômetros para chegar até o Parque Indígena Xingu. Até o dia 10 de maio, eles irão percorrer boa parte do parque, começando pelo alto Xingu, no Mato Grosso, para conhecer as técnicas de cultivo e plantio dos xinguanos.
Apesar da distância, os povos indígenas do Xingu e do Tumucumaque têm algo importante em comum: ambos estão em área de transição entre floresta e cerrado. O intercâmbio, organizado pelo Iepé – Instituto de Pesquisa e Formação Indígena, vai proporcionar a troca de conhecimentos na lida com a terra.
Sebastião Katxuyana, cacique da aldeia missão Tiryó, fala de sua expectativa. “Nós, lá no Tumucumaque, plantamos na floresta. A gente faz o roçado, coloca fogo para fazer a limpeza e depois plantar cana, mandioca, batata, cará, banana… Nós queremos saber como os índios do Xingu fazem isso sem destruir a natureza”.
Koneto Tiryó, tesoureiro da Apitikatxi (Associação dos Povos Indígenas Tiriyó, Katxuyana e Txikuyana), conta que as terras do parque Tumucumaque estão preservadas, mas que é preciso cuidar para que ela permaneça assim. “Acho importante conhecer outras etnias para conversar sobre sua terra. Cada etnia pensa de uma maneira e todas têm conhecimentos diferentes… Acho que podemos aprender muito”.
Intercâmbio
Décio Yokota, coordenador de estudos ambientais do Iepé, está acompanhando a expedição dos índios ao Xingu. Ele explica que os Tiriyó e Katxuyana habitam o norte do Pará, divisa com o Suriname, uma região de floresta amazônica que abriga uma área de aproximadamente 500 mil hectares de cerrado. “Escolhemos o Xingu para fazer esse intercâmbio pelo paralelo de povos indígenas vivendo no cerrado. Para eles é uma experiência muito rica poder ver como o povo do Xingu se relaciona com este ecossistema”.
O intercâmbio entre povos indígenas é realizado pela RCA – Rede de Cooperação Alternativa Brasil, integrada pelas organizações indígenas e indigenistas Apina (Conselho das Aldeias Wajãpi), ATIX (Associação Terra Indígena Xingu), CPI/AC (Comissão Pró-Índio do Acre), CTI (Centro de Trabalho Indigenista), Associação Wyty –Catë dos Povos Timbira do MA e TO, ISA (Instituto Socioambiental), Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), Opiac (Organização dos Professores Indígenas do Acre), Hay (Hutukara Associação Yanomami) e Iepé, com o apoio do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), por meio dos projetos de ATER (Assistência Técnica e Extensão Rural) indígena.
Tumucumaque
O Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque fica em uma área de 3,8 milhões hectares, nos estados do Amapá e Pará. Possui uma população indígena estimada em mais de 3 mil índios das etnias Apalai, Oiãpi, Wayana, Tiriyó, Katxuyana, Txykuiyana e Akurió, distribuídos em 50 aldeias.
Fonte: Instituto Socioambiental